Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de
viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem
provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste
a hora. Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o
ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele
não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas
camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas
conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da
natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o
fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
Queria conseguir dizer, com minhas palavras, da falta que meu Avô me faz. Mas nem o Drummond é suficiente...
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)